Se observares, SENHOR, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá? Salmos 130:3
É óbvio que esta é uma pergunta retórica, sendo Deus justo e o homem pecador, ninguém conseguiria resistir ao escrutínio divino. O texto refuta a ideia de que o esforço humano e o mérito próprio garantem o favor de Deus, lembrando que, segundo as Escrituras, por obras da lei, ninguém será justificado. (Gálatas 2.16)
A resposta para essa incapacidade humana está nas “boas novas” do evangelho. Paulo define isso claramente ao dizer: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê… visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Romanos 1.16-17). A justificação é entendida como um pronunciamento puramente legal feito por Deus, que decreta o pecador como justo aos Seus olhos.
Para explicar como alguém pecador pode ser aceito, Martinho Lutero cunhou a expressão simul iustus et peccator (“ao mesmo tempo justo e pecador”). O cristão é justo devido à obra de Cristo, mas ainda não foi aperfeiçoado e continua pecando na prática.
Não há infusão de justiça humana, mas sim a imputação (transferência legal) do mérito de Cristo. Ocorre uma dupla transferência: os nossos pecados são imputados a Cristo (que assumiu nossa culpa na cruz) e a perfeita justiça de Cristo é imputada a nós.
Como conclusão maravilhosa do evangelho, não é necessário passar por processos de purificação no purgatório. No instante em que depositamos nossa confiança em Jesus Cristo pela fé, a Sua justiça passa a ser nossa, e somos transportados imediatamente para um estado de perfeita reconciliação com Deus.
Adaptado por Rev. Jahyr Eliel Theodoro